terça-feira, 23 de setembro de 2008

Da Visão Dadivosa E Das Coroas De Águas Frondosas


Aguardo e espalho um Escrito que colho no Deserto a cada passar das pequenas e das grandes ondas que querem me guiar e que me guiam por horizontes de estados além dos estados conhecidos pelo meu Estar. Estou vigilante e a pena está vibrante, vou assinando meu nome Naquele Livro, Naquele Livro que toquei quando de meu Existir entre as Antigas Tribos. Estou escrito e inscrito Naquele Livro, a tinta utilizada fora a do sangue e a do Espírito, meu sangue, meu Espírito. Aquele Livro, sonho com Ele... Aquele Livro, perco-me Nele... Aquele Livro, encontro-me Nele... Cada página possui o sangue e o Espírito dos outros escribas Daquele Livro, meus irmãos, meus amigos. Aquele Livro cheio de areia... Aquele Livro Da Areia... Aquele Livro cheio de desertos... Aquele Livro Do Grande Deserto... Aquele Livro Vosso, Lilith, escrito com Vosso Sangue, Vosso Espírito, Vossa Fonte De Conhecimentos Tão Infinitas Como As Areias Do Grande Deserto! A Visão E A Coroa, Visão Desértica, Coroa Desértica, ah, alcanço, alcanço, alcanço, alcanço, alcanço, alcanço, alcanço, alcanço, alcanço...



As águas comuns tornam-se turvas

eu me afasto da rotina

das nadantes espumas

de nadas delas


E eu me vejo

eu Vejo


Lobos nadam para aquecerem

seus negros endurecidos pêlos

seis vezes em sete nados

refeitos


E eu me vejo

eu Vejo


Não esqueço do que agora

está ondulando por cima

das Águas Do Deserto

não esqueço não esqueço


E eu me vejo

eu Vejo


Nego o sonâmbulo estado

dos estertores dos meus desejos

e estou a lamber os pés

da Musa que Vejo


E eu me vejo

eu Vejo


Noite e lua

Mágoa passada

Rocha e gota d'água

Tu vens Tu vens Tu vens


E eu me vejo

eu Vejo


Visão

É A Visão

A Visão Tua Lilith

Andando Por Sobre Tudo


E eu me vejo

eu Vejo


Visão

Visão Tua Lilith

Tu Caminhas Por Sobre

As Águas Da Criação


E eu me vejo

eu Vejo


Visão

Visão

Até mim Lilith

Tu vens com infinda nudez


E eu me vejo

eu Vejo


Visão

Vossos Pés Acima Caminhantes

Nas Águas Da Criação

Lilith


E eu me vejo

eu Vejo


Tu me roubas

daqui diante da roupa

que se rasga

na nudez do Espaço


E eu me vejo

eu Vejo


Tu me roubas

como ladra irrecuperável

senhora de roubos

de corações desesperados


E eu me vejo

eu Vejo


Eu passo a caminhar

por sobre as minhas águas

eu passo a caminhar

por sobre as Águas Da Criação


E eu me vejo

eu Vejo


Meus pés guiados até

os Vossos pés

Lilith Do Deserto Caminhante

assemelham-se então


E eu me vejo

eu Vejo


A Magia retorna em ondas

de labaredas em fontes

d'águas perto

da Grande Fonte Desértica


E eu me vejo

eu Vejo


A Magia Do Deserto

toma conta d'alma minha

de bardo desértico

que havia se perdido ontem


E eu me vejo

eu Vejo


A Magia

A Magia Inominável

oh Lilith

eu caminho sobre As Águas


E eu me vejo

eu Vejo


Me aproximo mais

estou diante de Ti

me ajoelho

Tu abres as pernas


E eu me vejo

eu Vejo


Ajoelhado eu contemplo

A Origem Da Criação

A Origem toda desenhada

entre as Tuas pernas


E eu me vejo

eu Vejo


Ajoelhado nas Águas

diante da Origem

me Originando

sinto-me Original


E eu me vejo

eu Vejo


Ajoelhado

nas Águas ajoelhado

agora aproximo meu rosto

da Origem


E eu me vejo

eu Vejo


Ajoelhado

Ajoelhado

Ajoelhado

minha face na Origem


E eu me vejo

eu Vejo


Ajoelhado

Ajoelhado

Ajoelhado

eu cheiro A Origem


E eu me vejo

eu Vejo


Ajoelhado

Ajoelhado

Ajoelhado

eu medito na Origem


E eu me vejo

eu Vejo


Vejo que me Origino mais

Lilith

assim

e abro meus lábios


E eu me vejo

eu Vejo


Sinto Vosso estremecimento

Lilith

nas Águas Da Criação

minha língua na Origem


E eu me vejo

eu Vejo



Escritura Entregue A Ti, Lilith, Assinada Por Cada Gota De Sangue E De Esperma Meu Colhidas Da Plena Masturbação Do Meu Eu.


Inominável Ser

UM ESCRIBA DO DESERTO

ETERNIZADO NO LIVRO

DE

LILITH








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