terça-feira, 23 de setembro de 2008

Do Azul Aguardado E Das Demais Cores Reveladas


Carrego uma fornalha na ponta do meu pau, uma fornalha acesa quando me ofereço ao instante que se torna Eterno quando estou a acrescentar páginas às Escrituras Desérticas, Lilith. Não é engraçado e nem é renovador ser um deserto em um mundo no qual a maioria, ou todos, querem ser cidades ultrapovoadas, sorrindo, fodendo, procriando, caminhando como porcos e porcas cegos em direção ao túmulo nos cemitérios, lugares que adoro por confirmar diariamente em mim que melhor é ser deserto do que ultrapovoado. As safadezas Contigo, Lilith, atravessam as épocas, são épicas, parece que sempre estivemos, como Mãe e Filho, como Deusa e Deus, como Amantes e Esposos, em cada um de Vossos Leitos aqui na Terra, no Abismo e nos Infernos. Pelas Trevas, agora, vejo um magnífico Azul, Azul de qual esperança, Azul de qual lembrança, Azul de qual felicidade? Desertos não possuem felicidade, mas o meu deserto, assim como o Grande Deserto Vosso, É Da Felicidade Da Verdadeira Natureza De Todas As Coisas! Este sou eu, um escriba, um poeta, um visionário, um louco, um gênio, um incompreendido, um desprezado, um esquecido, um invisível, um rebelde, um revoltado, um indignado, um depravado, um devasso, um deserto de todas estas coisas no Azul Do Deserto e de todas as demais cores, Cores Desérticas como eu, Inominável Ser Do Grande Deserto...



A cor

da Tua

buceta


língua minha

me permite ver


A cor

de dentro da Tua

buceta


língua minha

vai me permitindo ver


A cor

das paredes todas da Tua

buceta


língua minha

investigando


A cor

da esquerda interior de Tua

buceta


língua minha

vai investigando


A cor

da direita interior da Tua

buceta


língua minha

investiga


Todas as cores

no meio da Tua

buceta


língua minha

percebendo


Todas as cores

bem no meio da Tua

buceta


língua minha

percebe


Todas as cores

o prisma das cores da Tua

buceta


língua minha

identifica


Cores encontráveis

na Tua

buceta


língua minha

identificando


Cores desencontráveis

na Tua

buceta


língua minha

a identificar


Cores densas

na Tua

buceta


língua minha

estuda


Cores fracas

na Tua

buceta


língua minha

estudando


Cores e cores

do esplendor da Tua

buceta


língua minha

a estudante


Cores e cores

do enevoar da Tua

buceta


língua minha

estudiosa


Cores e cores

do esfumaçar da Tua

buceta


língua minha

escrevendo


Cores e cores

me cegando na Tua

buceta


língua minha

a escrever


Cores e cores

a me fazerem Ver na Tua

buceta


língua minha

escritora


Cores e cores

na Bíblia da Tua

buceta


língua minha

poetizando


Cores e cores

no Alcorão da Tua

buceta


língua minha

a poetizar


Cores e cores

no Talmud da Tua

buceta


língua minha

poetisa



Escritura Entregue A Ti, Lilith, Por Meio Da Saliva Encantada Pela Vossa Buceta Que A Encharcou Com Seu Mijo De Todas As Cores Que Me Doutrinaram Na Religião Do Deserto.


Inominável Ser

UM DEGUSTADOR ESCRIBA

DO DESERTO

ETERNIZADO NO LIVRO

DE

LILITH









2 comentários:

angie disse...

Amei! Esta merece ser lida naquela hora... rs..

Inominável Ser disse...

Naqueles momentos, naquelas horas, uma receita poética bem profunda e a garantir muito prazer, mesmo, angie... Lida naquela hora, ao mesmo tempo da degustação do corpo da amada...

Agradeço-lhe pelo comentário e retornes sempre, angie!