quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Os Passos Que Evocam Novas Covas


Art by Maurizio Barraco


De uma morte, tomo consciência de que ainda há outros túmulos a serem abertos. De duas mortes, moldo uma ciência onde evoco e convoco abertamente os meus antigos ossos triturados. De três mortes, faço em grandes espaços um apurado colher de muito mais do que mortes. De quatro mortes, apresento-me ao carrasco que contém nas mãos todos os símbolos da tortura e do desastre. De cinco mortes, sou obrigado a acompanhar o meu primeiro, último e eterno funeral. De seis mortes, concluo que tudo que ainda tenho a passar como morto é apenas o meio de minha estrada no Universal e Anti-Universal Jogo. De sete mortes, sou afastado de mim mesmo no topo da montanha que está perto do Grande Poço. Oito, nove, dez, onze, doze, treze… Em todas as minhas mortes, Tu estás presente, Serpente, Caminhando, Caminhando, Caminhando sobre cada um dos meus túmulos…


E morrendo,
Singro correntes
De muitos oceanos
Que me beijam
Afogados…

E morrendo,
Vou provocando
Novas Essências
Em meu Ser
Verbal…

E morrendo,
Valorizo meus ossos
Expostos ao jugo
Do terrível Poder
Temporal…

E morrendo,
Sacudo meus mundos
Com tudo do meu
Pedido por uma morte
Final…

E morrendo,
Conduzo meus corpos
Ao estado próprio
Dos Grandes
Tumultos…

E morrendo,
Realizo em templos
Todos os roteiros
De meus livros
Horrendos…

E morrendo,
Atuo em ventos
Que batem em
Árvores caídas
Gemendo…

E morrendo,
Corro em campos
Que ficam distantes
Dos Morros
Gritantes…

E morrendo,
Teço uma linha
Que me joga
Em toda grande
Quinquilharia…

E morrendo,
Exalto um testemunho
Que me impõe
Um Luto
Intenso…

E morrendo,
Saboreio refeições
Que sobem todas
Ao meu Alto
Terreno…

E morrendo,
Participo de razões
Que constroem mansões
Onde me deito
Tremendo…

E morrendo,
Travo toda batalha
Que rasga minha
Bruta alma em
Cascalhos…

E morrendo,
Emprego minhas forças
Ao remendo de
Cada um dos meus
Tetos…

Morrendo,
Como um poeta
Através das Eras
Bebendo do
Teu Veneno!

Morrendo,
Como um poeta
Dançando A Mortal
Música Dos Teus
Sibilos!

Morrendo,
Como um poeta
Assistindo Teus
Passos sobre
Meus túmulos!

Morrendo,
Como um poeta
Rastejando mudo e
Aos Teus Pés
Atado!

MORRENDO
MORRENDO
MORRENDO
MORRENDO
MORRENDO!!!

NOVAS COVAS
NOVAS COVAS
NOVAS COVAS
NOVAS COVAS
NOVAS COVAS!!!

VOSSOS PÉS
VOSSOS PÉS
VOSSOS PÉS
VOSSOS PÉS
VOSSOS PÉS!!!

LILITH
LILITH
LILITH
LILITH
LILITH!!!


E Assim Ela Abre Novas Covas Em Minha Alma…


Inominável Ser
AOS PÉS
DE LILITH
A CADA
NOVA COVA




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